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O Concílio Vaticano II, através do Decreto sobre o Apostolado dos Leigos, reconhece o direito à participação plena no Corpo Místico de Cristo de todos os seus membros, com conexão e coesão entre todos, para a cooperação da verdade. Reconheceu o desafio dos novos tempos com aumento das populações, do progresso das ciências e das técnicas, das novas relações entre os homens, diante de uma queda do número de ministros ordenados – padres, bispos e diáconos.

O Papa Francisco tem insistido frequentemente no papel dos leigos e leigas, dotados de arraigado sentido de comunidade e uma grande fidelidade ao compromisso da caridade, da catequese e da celebração da fé. Por outro lado, demonstra preocupação com Igrejas fechadas à atuação dos leigos, que não abrem espaços para sua colaboração concentrando ainda tudo nas mãos do padre, e também preocupação com a falta de formação adequada dos leigos.

Nesse horizonte do magistério da Igreja podemos considerar alguns elementos importantes para tratar da vocação dos leigos e servir de reflexão nesse mês dedicado às vocações. O contexto que se tem pela frente é de um mundo com aumento do número de católicos conforme atesta o Anuário 2020 em torno de 1,2%, a queda do número de vocações sacerdotais e religiosas e o aumento de novas demandas e ocupações na comunidade e na sociedade.

O Papa Francisco tem feito um esforço extraordinário para reformar a Igreja, inclusive aprovando normas que autorizam o exercício da liderança de leigos e leigas em Dicastérios reservados até agora aos bispos. É desejo da Igreja que haja uma participação crescente do laicato na vida da Igreja e nos espaços de decisões, e não apenas sejam vistos como “tarefeiros”.

O tempo de um laicato passivo ou servindo apenas nas celebrações da fé deve ser superado com a formação de leigos que entendem sua missão enquanto sujeitos eclesiais. Um laicato mais voltado para o ministério interno da Igreja tem pela frente o desafio de uma “Igreja em saída”, que vai ao encontro do povo. E nessa missão o seu caminhar se coloca na perspectiva de uma Igreja em processo sinodal.

Na linha da Conferência de Aparecida, podemos nos perguntar: o que significa hoje ser discípulo missionário? O que nossa Igreja mudou em termos de planos e projetos pastorais para que cresça um laicato verdadeiramente “sujeito eclesial”, com adequada formação e espaços para atuação? É muito significativa a estruturação do Regional Leste 3 da CNBB inserindo como presidentes de oito comissões entre doze, leigos e leigas. Não é o fato de não se ter bispo ou padre para ocupar esses espaços de articulação pastoral no Regional, mas a
consciência de que esse é o caminho desejado pela Igreja conforme nos orienta o Concílio Vaticano II.

Desde o Concílio, conforme nos diz o Papa Francisco, se falava na “hora dos leigos”. Contudo, essa hora está tardando muito. Ainda estamos presos a um modelo pré-conciliar, quase saudosista. Há muitas resistências à ocupação dos espaços e funções e pouca vontade na formação de lideranças cristãs engajadas nos mais diversos espaços da sociedade. Os leigos também são responsáveis por essa lentidão. Muitos sentem-se inseguros e outros, por comodismo mesmo.

A participação intensa dos leigos e leigas na vida interna e externa da Igreja é fator de sua vitalidade e compromisso com o Evangelho.
Finalizo essa reflexão com algumas palavras da mensagem que o Papa Francisco proferiu em Portugal na Jornal Mundial da Juventude que deixou os jovens sem palavras. O Papa diz aos jovens que “precisamos de santos sem véu, nem batina, vestindo jeans e sapatilhas; precisamos de santos modernos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais, que se santifiquem no mundo e não tenham medo de viver no mundo, sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros”. A principal vocação a que somos chamados é para a santidade, com os pés firmes e fincados no mundo, uma santidade que se torna sal da terra e luz do mundo.

Edebrande Cavalieri