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Dom Luiz Mancilha Vilela, sscc, arcebispo emérito de Vitória,  faleceu às 14:40 do dia 23 de agosto de 2022.

O velório acontecerá na Catedral de Vitória no dia 24 de agosto de 9h às 21 horas. A primeira missa de corpo presente será às 10 horas e as demais serão: 12h, 14h, 16h, 18h e 20h. Na quinta, 25 de agosto, acontecerão missas às 6h, 8h e às 10h sendo esta a missa exequial presidida pelo Arcebispo Dom Frei Dario Campos (transmitida pelo YouTube da Arquidiocese de Vitória). Em seguida será o sepultamento na cripta da Igreja Mãe a Catedral.

Vocação religiosa

Dom Luiz nasceu em Pouso Alto, no sul de Minas Gerais em 6 de maio de 1942. Ainda muito jovem, aos 9 anos entrou para a Congregação dos Sagrados Corações onde foi formado segundo o carisma da Congregação, cursando Filosofia em Pindamonhangaba, SP e Teologia na PUC, MG. Foi ordenado padre em 21 de dezembro de 1968 pelo cardeal dom Serafim Fernandes de Araújo, então arcebispo de Belo Horizonte.

Já ordenado foi vigário na paróquia Sto. Antônio e dedicou-se à pastoral familiar e vocacional. Na Congregação foi animador da pastoral vocacional, formador, conselheiro provincial e provincial.

Bispado

Em 3 de dezembro de 1985 foi nomeado bispo para Cachoeiro de Itapemirim pelo Papa João Paulo II e foi ordenado bispo em fevereiro de 1986 pelo cardeal dom Serafim.

Diocese de Cachoeiro de Itapemirim

Em Cachoeiro destacou-se, entre outras ações pastorais, pelo trabalho de organização administrativa; investimento na formação do clero; visão de comunicação mais ampla, abrindo livrarias com produtos religiosos, provedor de internet e rádio diocesana. Ainda em Cachoeiro escreveu um livro de poesias, expressando seu lado literário poético.

Arquidiocese de Vitória

Em 2002 foi nomeado pelo Papa João Paulo II para suceder dom Silvestre Luiz Scandian e assumiu como arcebispo coadjutor em fevereiro de 2003 a arquidiocese de Vitória.

Em Vitória dedicou-se à organização administrativa, pastoral e resgate histórico de bens patrimoniais e documentos, centralizando a contabilidade, investindo na formação do clero e seminaristas. Criou a Escola Diaconal e realizou o I Sínodo Arquidiocesano de 2006 a 2009, dando concretude a um desejo que herdou de dom Silvestre e que serviu de orientação para a reorganização pastoral.

Criou 39 paróquias e ordenou 34 padres, sempre com a preocupação pastoral de aproximar os serviços religiosos do povo.

Perfil de comunicador

Deixou a marca de arcebispo apressado, tinha pressa de ver a vida pastoral acontecendo com alegria e esperança.

Em Vitória deixou que seu perfil de comunicador buscasse formas de estar presente na vida dos fiéis: manteve programa diário na Rádio América e semanal no facebook e youtube, escreveu e publicou 4 cartas pastorais, dedicadas às comunidades eclesiais, padres, vocações e diáconos; 3 livros como roteiros de fé em linguagem poética (Vitrais, um Hino a Deus Criador, Peregrinos na Catedral e Ore Comigo); 1 livro sobre Comunidades Eclesiais de Base (Sinal do Reino no Presente e no Futuro); 1 livro “Conversando com meus seminaristas”; 1 livro dedicado às mães que sofrem pelos filhos “Conversando com a Mãe Aflita” e, 1 livro de reflexões “A Igreja nos Passos de Jesus”. Deixou pronto um livro de meditações sobre os Evangelhos Sinóticos e estava escrevendo outro sobre o Evangelho de São João.

Dom Luiz, bispo, pastor e administrador

Nas comemorações ao completar 75 anos e antes de se tornar emérito, dom Luiz definiu-se assim: “Vejo-me em três palavras: Bispo, Pastor, Administrador”.

Bispo: “Eu tenho para mim que o bispo é o timoneiro da esperança e tem um navio a tocar para a frente. Sejam quais forem as tempestades e os ventos, ele deve ser uma pessoa de esperança. O bispo tem que ser uma pessoa de esperança no meio da tempestade e no meio da calmaria. Eu tenho uma preocupação em motivar o clero e tenho uma convicção também. Se você trabalhar bem o clero, o povo de Deus vai ganhar mais. Se eu não tiver padres bem formados não vou ter gente para formar bem o povo. Então, desde os meus primeiros dias de bispo, minha preocupação é a boa formação do nosso clero: formação espiritual e intelectual, como também a capacidade de administrar. Posso dizer, com muita humildade, que minha grande preocupação foi a formação espiritual começando pelo Seminário, tentando dar o que é básico aos seminaristas para termos no futuro bons sacerdotes e, eu acredito que tenhamos progredido nisso. E, também motivando os padres à sua própria formação. O retiro não é algo obrigatório, mas ajuda os padres a sentirem um desejo profundo de serem santos, porque eu estou convencido que um padre santo faz um montão de coisas que nós não conseguimos fazer. Essa é a minha convicção e esse foi o meu esforço, agora se você me perguntar se eu consegui, não sei, isso cabe a Deus ver”.

Pastor: “Pastor, porque ele tem que cuidar das ovelhas, de todas, de acordo com a situação de cada uma delas. Então, o bispo é pastor porque é uma pessoa que tem que estar em sintonia com essas ovelhas. O pastor é aquele que trata o povo com carinho. Com firmeza naquilo que é necessário, mas todos com educação, com carinho, sem distinção de pessoas. Procuro estar no meio enquanto posso, porque minha missão me exclui muito, me deixa muito na cúpula, mas na medida em que tenho a oportunidade, gosto de estar com o povo. Ser simples e nunca usar de meu cargo de bispo para pensar como se fosse um príncipe, longe disso, mas um irmão que é visto de uma maneira diferente pelo povo. O povo vê no bispo uma espécie de sacramento, desperta no povo uma fé muito viva e isso eu acho que é algo positivo, não que me deixe diferente, mas que me chame a atenção para a responsabilidade pessoal que eu devo ter, no sentido de estar com as pessoas, sendo para elas, o mais possível, este sacramento que elas contam”.

Administrador: “O bispo não é uma pessoa que está ali preocupada com o material, mas ele tem que olhar o sustento de toda a Igreja, tem que organizar, fazer justiça entre o clero e entre o povo para que se ele tiver que dizer alguma coisa à sociedade, seja a partir do que está vivendo. Porque é muito fácil criticar a sociedade sem ter a responsabilidade pessoal de trabalhar bem a sua casa. Como é que eu vou olhar a casa geral se não olho a minha própria casa? Então, o bispo tem que ser uma pessoa sumamente responsável, equilibrada e com grande visão do presente e do futuro. Olhar bem para a frente, ter uma visão bem para a frente a partir da base que é a pessoa de Jesus Cristo.

O bispo tem que enxergar mais longe de que muita gente, e, na medida do possível, colocando pessoas que possam produzir bem esse trabalho administrativo e ouvir muito o conselho de pessoas competentes na área. Por isso eu digo que, se há alguma coisa boa neste campo, eu não digo que seja mérito meu, mas é mérito dos meus assessores, a assessoria de imprensa, por exemplo. Os meus assessores é que produzem, então cabe a mim apoiar, cabe a mim estar atento e ser o último a dizer alguma coisa que precisa ser dita, mas sempre eu direi e disse depois de ouvir os conselhos das pessoas competentes da área: no conselho administrativo, por exemplo, temos gente competente e faço questão de ouvir bem e faço meus questionamentos para que eu possa aprender e tomar decisões, mas a minha grande missão é de escuta, de concordância com o que me parece certo e ter coragem de tomar decisão”.

Com informações da Arquidiocese de Vitória