Nos dias 20-22 de março de 2026, aconteceu a Assembleia Regional do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP-MG/ES), em Piúma (ES), para refletir sobre o tema “Sinodalidade nas águas e nos territórios pesqueiros: caminhar juntos e juntas para a transformação”. O encontro reuniu pescadores artesanais, marisqueiras, agentes de pastoral, membros do secretariado nacional, além de representantes dos movimentos e entidades parceiras.
O CPP é uma pastoral social reconhecida pela CNBB, desde 1976, cujo atual presidente é o bispo da Prelazia de Tefé (AM), Dom José Altevir da Silva que esteve presente em todo encontro. O bispo da Diocese de Cachoeiro do Itapemirim, Dom Luiz Fernando Lisboa, também esteve na assembleia e acolheu com alegria os participantes.
A secretária executiva do CPP (MG/ES), Irmã Letícia Aparecida Rocha, destacou a importância da assembleia como momento de reflexão coletiva sobre a caminhada pastoral e as lutas das comunidades pesqueiras. Os participantes refletiram sobre a conjuntura eclesial e política, a regularização fundiária dos territórios tradicionais pesqueiros pelo INCRA (PNRA), a Campanha da Fraternidade 2026 “Fraternidade e Moradia”, os desafios atuais da pesca artesanal, o enfrentamento à mineração, as legislações e políticas públicas da pesca artesanal.
Entre os palestrantes, o evento contou com Tânia Maria Silveira, referencial da Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração (CEEM-RL3), que falou sobre o enfrentamento à mineração pelos territórios pesqueiros. A pesca artesanal é fundamental para a segurança alimentar e a economia local, representando mais de 70% do pescado nacional e gerando renda para cerca de um milhão de famílias. Além de preservar tradições e cultura, essa atividade é crucial para a conservação da biodiversidade marinha e costeira, atuando em pequena escala. No entanto, o conflito entre pesca e mineração se intensifica devido à poluição de corpos d’água, contaminação por metais pesados e destruição de habitats.
O Relatório 2024, Conflitos Socioambientais e Violações de Direitos Humanos em Comunidades Tradicionais Pesqueiras no Brasil, elaborado pelo CPP, afirma que mais de 10 mil famílias de comunidades tradicionais pesqueiras do Espírito Santo são diretamente afetadas por conflitos socioambientais que ameaçam seus territórios, modos de vida e direitos fundamentais.





