O 5º Encontro da Rede Brasileira de Justiça e Paz divulgou, nesta semana, uma moção de apoio e solidariedade aos povos indígenas Tupiniquim e Guarani de Aracruz. O documento reforça a legitimidade da resistência dessas comunidades contra os impactos persistentes do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 2015.
Foto: Site do GOV
As lideranças da Rede classificam o episódio como o “maior crime ambiental do Brasil”, apontando a responsabilidade direta das mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton. A nota destaca que a exclusão sistemática dos povos originários das negociações do Novo Acordo do Rio Doce repete um histórico de silenciamento e violação de direitos fundamentais.
Para as comunidades afetadas, a contaminação do Rio Doce atingiu o coração de sua existência. O rejeito de minério que avançou até o mar comprometeu severamente a pesca, a agricultura e as tradições ancestrais que dependem das águas. Segundo o manifesto, a luta por reparação justa é indissociável da luta pela própria sobrevivência e preservação da memória indígena.

O encontro lembrou as recentes ações de resistência, como o bloqueio da ferrovia em Aracruz em 2025, que paralisou o escoamento de minério para denunciar que os danos de 2015 ainda não foram sanados. Recentemente, em fevereiro de 2026, as comunidades Tupiniquim de Aracruz reafirmaram sua posição ao decidir não aderir aos termos do Anexo 3 do novo acordo, por considerá-lo insuficiente e alheio às suas reais necessidades.

A Rede Brasileira de Justiça e Paz exige que qualquer processo indenizatório respeite o direito à Consulta Livre, Prévia e Informada, conforme os protocolos próprios dos povos indígenas. “A reparação não pode ser feita às costas dos mais afetados”, conclui a nota, reafirmando que o protagonismo das decisões deve pertencer às comunidades atingidas.